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Quarta-feira, Agosto 18, 2010
Posted
7:56 PM
por MAYRA SIQUEIRA
A particular convenção social nos transportes públicos
(ou o desafio às leis da Física sobre a ocupação de corpos num mesmo lugar no espaço)
Desde que o mundo é mundo, existem leis.
Escritas ou por convenção, nossas vidas sempre, e absolutamente sempre, foram regidas por algumas regras básicas e imprescindíveis. Sem elas, não poderia ser mantida a ordem, ou mesmo a desordem (afinal, até mesmo a anarquia possui suas próprias regras de convivência).
Não precisamos, porém, de um órgão lesgislativo para nos indicar o que é certo e o que é errado. Não precisamos de um papel oficial decorado pelos estudantes de Direito na faculdade para nos ensinar coisas que aprendemos desde sempre como convenções sociais.
Cada grupo em cada local e ambiente, cria suas regras próprias. Numa empresa, numa casa, numa família, num prédio, num condomínio, numa escola, num grupo de amigos...
Pois bem. Há uma convenção bastante restrita aos usuários de transporte público.
E em especial nos últimos meses, aprendi uma ainda mais específica: a dos trens paulistanos.
Regras básicas do transporte público: as pessoas não devem se olhar nos olhos. Devem, sim, usar este belo momento de retorno para casa ou ida ao trabalho, escola, ou o que for, num instante único de introspecção. No vai-e-vem dos corpos que a Física nos proporciona pela impagável inércia, podemos refletir sobre a vida, retomar mentalmente a matéria que cai na prova de amanhã, relembrar bons momentos com alguém, sonhar longe através da imaginação, dormir, ouvir música... Enfim, divagar.
Outra regra básica: não sorria. No máximo, se o seu bom humor permitir, dê um sorriso amarelo para aquele que pisou no seu pé ou, sem querer, esbarrou com sua mochila em você.
Não puxe assunto. No máximo, peça informação sobre onde descer, e não prossiga no papo. No momento da mágica introspecção, os usuários de transporte público estão contentes em se enfiar em seu mundinho e não querem saber se está frio, calor, se vai chover, se o motorista está acelerando ou indo devagar demais, ou se você estudou naquela escola de esquina que, hoje, virou um supermercado.
E, por fim, nunca, jamais, deixe de ser blasé. É isso que se espera de quem está no trânsito ou apenas sobre os trilhos em um vagão lotado.
Como disse, os usuários dos trens paulistanos, em especial os que fazem a temerária baldeação da Barra Funda – Presidente Altino – Linha Grajaú/Osasco, vivem numa espécie de regra de peculiaridade gritante. Só quem percorre diariamente seus trilhos pode compreender essa lógica particular.
Regras? Poucas. Mas claras. Saia correndo ao descer nas estações de troca de trem (Presidente Altino e Barra Funda). Empurre os outros, se quiser sobreviver aos empurrões que receberá. Não hesite: vagou um assento, sente-se o mais rápido que puder. Todos os usuários, claro, conhecem seus locais de espera “fixos” para o próximo trem. Não ouse tomar o de alguém.
Há ainda a especialidade da estação Palmeiras-Barra Funda às 18h. É um momento impagável para qualquer ser humano. Confesso jamais ter visto in loco nada que se aproximasse mais da perda de humanidade dentro de uma pessoa como esse momento mágico que é o desembarque na plataforma do trem, sentido Júlio Prestes.
“Run for your lives” deveria ser o cartaz informativo sobre as escadas. Pelo seu bem-estar, o senso comum diz que devemos correr – correr muito! – para sermos o primeiro a alcançar os degraus, e, enfim, chegar logo no destino, sem esmagamento. Não ouso contar as centenas que arriscam sair e correr ao mesmo tempo, sobre empurrões, tapas, e pernas quase perdidas na vala assustadora que existe entre o trem e a plataforma.
Este registro, hoje, em especial, vale como um informativo gentil aos nossos políticos paulistas queridos: experimentem esse trajeto por um dia. Desçam na estação Palmeiras-Barra Funda uma só vez às 18h. Levem 10 minutos, saindo do vagão, para alcançar as escadas. Sintam o odor perfumado do bafo de cachaça no senhor que vem logo atrás. Sintam aquela dorzinha no peito ao ver a mãe de uma criança sustentá-la pela mão, enquanto a pequena criatura sobe pelo corrimão da escada, tentando fugir do trânsito humano. Sintam o toque dos corpos, que, como filhotes se embolam para fugir do frio no inverno, juntam-se de forma a quase contestar a lei da Física que duvida que mais de um possa ocupar o mesmo lugar.
Tenho certeza que, diante deste quadro tão ricamente HUMANO, um pouquinho será mudado em sua vida.
Uma pequena amostra em vídeo: um dia paulistano.
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Sexta-feira, Julho 23, 2010
Posted
1:59 AM
por MAYRA SIQUEIRA
Uma matéria especial e.... ‘humana’.
Foi um abandono sem motivo explicável. Mas aqui segue uma matéria que tive muito prazer jornalístico em fazer, mas uma inegável dor pessoal pelo teor trágico dela.
Foi publicada dia 16/07, no globoesporte.com (original aqui ).
***
Clube alagoano perde quase tudo em enchentes e abandona Série D
Sede do Murici foi destruída nos desastres na região, e até o troféu do título
Foram 11 anos na espera para uma glória que acabou ofuscada por um desastre natural. A festa do Murici Futebol Clube durou pouco mais de um mês. As enchentes que devastaram diversas cidades no estado de Alagoas não perdoaram o pequeno município de Murici, onde nasceu o senador Renan Calheiros, e turvaram a única glória da história do time local, que acabara de sagrar-se campeão estadual pela primeira vez desde que estreou no torneio, em 1999.
As enchentes destruíram cerca de 50% da cidade de Murici, em Alagoas (Foto: Divulgação Muriciweb)
- A sede do clube caiu. O estádio José Gomes da Costa está sendo utilizado para pouso e decolagem dos helicópteros do Exército, pois a cidade está servindo como ponto de distribuição de material, alimentos e ajuda para as outras cidades próximas - afirmou o dono do clube e também prefeito da cidade, Remi Calheiros, irmão de Renan.
As palavras do político retratam apenas superficialmente a situação – não só da cidade, mas de um time que perdeu seu rumo. A equipe desistiu de disputar a Série D do Brasileirão, que começa neste sábado, e deu vaga ao CSA, devido ao estado de calamidade pública decretado pela Prefeitura e pelo Governo do Estado. A palavra de ordem é tentar manter a confiança, uma vez que o inédito título estadual garante a participação do Murici na Copa do Brasil de 2011. Porém, a preocupação de todos os moradores da cidade não pode ser outra, senão a necessidade de dar vida outra vez ao município, que teve quase metade do território afetado pelos alagamentos.
- A reestruturação é o foco. A ideia era disputar a Série D, buscando a classificação pra Série C, e começar a preparação para o Campeonato Alagoano de 2011 e a Copa do Brasil. Agora, essa programação foi toda por água abaixo. Temos que reestruturar a cidade primeiro, para depois poder pensar nisso – acrescentou o dirigente.
Consolo para o torcedor? Ainda não. Na confusão, até o principal símbolo da conquista do Campeonato Alagoano foi arrancado do clube.
- O troféu de campeão desapareceu, e até hoje ninguém faz ideia do paradeiro dele – acrescentou Remi Calheiros.
Jogadores comemoram título alagoano. Troféu se perdeu nas enchentes (Foto: Site oficial do Murici)
b>Drama bate na porta dos jogadores
A tarefa de toda a família Calheiros, que há anos domina a política local, será árdua. Diante da situação catastrófica, todo o elenco acabou sofrendo as consequências e seguiu atrás de alternativas.
- Alguns jogadores tiveram suas casas atingidas, inundadas. Chegaram até a ficar desabrigados por cerca de três dias. Alguns moravam na nossa sede, que está praticamente toda destruída. Como só teremos uma competição profissional a partir de janeiro, emprestamos a maioria dos jogadores. Sete deles estão no CSA (que substituiu o Murici na Série D). Só três atletas ainda não estão emprestados e seguem treinando com o pessoal das categorias de base, já que o estádio não pode ser utilizado. Estamos tentando colocá-los em outros clubes – disse.
Murici foi uma das diversas cidades de Alagoas
afetadas pela enchente (Foto: Muriciweb)
Entre as más notícias que envolvem o clube, há a grande chance de que os jogadores acabem não retornando para o Murici. Porém, a esperança necessária para todas as vítimas da tragédia ganha voz na boca do prefeito e presidente do time, que prefere acreditar na fidelidade dos atletas.
- Todos os jogadores têm vínculo com o Murici. O contrato de empréstimo deles vai até novembro. Temos esperança e expectativa de que eles retornem – afirmou.
Para completar, Remi Calheiros fez questão de deixar um apelo à CBF:
- O Murici é o representante de Alagoas na Copa do Brasil (de 2011). Esperamos que tudo até lá volte à normalidade, mas faremos um apelo à CBF, para ver se ela pode nos ajudar. Perdemos todo o imobiliário do clube. Queremos ver como ela pode nos auxiliar – finalizou.
****
Outro especial sobre a Série D que, com muito orgulho posso dizer, foi uma das notícias mais lidas no dia de sua publicação, é esta aqui:
Série D é desafio para clubes tradicionais e Túlio Maravilha
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Quarta-feira, Junho 23, 2010
Posted
11:54 AM
por MAYRA SIQUEIRA
(Me dei ao direito de publicar aqui o texto da amiga Monica Mohrhardt, que faz seu mestrado na Alemanha, e deu uma palhinha sobre o clima de lá hoje, para Alemanha x Gana, às 15h30 - horário de Brasília)
Alemanha x Gana – a apreensão dos germânicos
Aula 9:15.
Putz...
Li durante a aula, às vezes achando que ia desmaiar de sono. Em pensamento refletia sobre tomar ou não chimarrão quando voltasse para casa.
10:45 - fim da aula. Finalmente! Saí do prédio escuro para o sol brilhante, meio ofuscante - mas não quente, apenas agradável.
E... silêncio. Não silêncio, mas era como se todos os sons estivessem abafados. Parecia que ninguém falava, nenhuma criança gritava, nenhuma estudante ria histericamente tentando chamar a atenção (deu pra perceber o que eu acho das estudantes histéricas, né?)
Olhei no relógio: 10:55. Achei que o silêncio se devia a ser cedo demais, mas não. Não era cedo demais.
A única coisa que se ouvia alto era o som de um motor, um guindaste que estava trabalhando na Uniplatz, a praça da universidade, retirando os grandes relógios do prédio antigo da universidade, provavelmente para manutenção.
Mais alguns passos e mais desse silêncio estranho. Uma falta de som do próprio som.
Entrei no banco, realizei minhas transações bancárias (quem lê pensa...), saí do banco. Tudo está mudo, o mundo está mudo.
Montei na minha bike e fui comprar Apfelschorle (suco de maçã gaseificado - é como se fosse um refrigerante, com a diferença de que é suco de maçã) no Penny. Desci a Plöck. Vento.
Tudo o que ouvia era vento. As pessoas passavam em suas bicicletas, indo e vindo. Mas tudo sem som, tudo estranho, tudo abafado.
Fiz o que tinha que fazer no mercado. Fiz o caminho de volta. Quase na altura da biblioteca um rapaz descia de bicicleta na direção contrária, camisa da Alemanha. O primeiro.
Hoje a Alemanha joga e é decisivo para eles. Depois de perder para a Sérvia, parece que nada mais é certo. Por um lado queria que eles perdessem só para pararem de me encher o saco na rua, na aula, no Mensa (o bandejão). Mas por outro lado, espero que ganhem, porque estar num país que saiu da Copa antes mesmo de chegar nas oitavas de final é meio triste. As pessoas andam cabisbaixas pelas ruas.
O silêncio, ou melhor, esse som abafado de todas as coisas, é o som da apreensão.
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Terça-feira, Junho 22, 2010
Posted
10:08 PM
por MAYRA SIQUEIRA
Copicuinhas
Quando o futebol fica de lado em uma Copa do Mundo e brilham mais os escândalos dos técnicos, jogadores e jornalistas é porque tem algo errado, não?
Dunga chama o jornalista da grande mídia de “merda” e “cagão” no microfone da coletiva. Domenech, o outro, mais ainda crucificado, vê seu jogador dizer “vai tomar no c., seu filho da p.”, e é obrigado a dispensá-lo, pouco antes de ele mesmo ser despachado do Mundial, com uma mão na frente, outra atrás. A mão do Henry de nada serviu, e ficou apenas para a história e para a irritação evidente dos irlandeses. O ombro de Luis Fabiano comemora a ajudinha divina, já que virou clichê traduzir para todas as línguas envolvidas as manos, mains e mãos de dios, dieu, deus. Os elefantes distribuem patadas, Kaká deixa cotovelo e é expulso injustamente e o juiz lava as mãos.
Uma Copa de ânimos exaltados...
Poucos gols, pouco show nos gramados. Muito, mas muito auê fora dele.
A culpa é da imprensa, que quer polemizar? A culpa é dos jornalistas, que tanto encheram Dunga que o fizeram chegar a esse ponto? Ou a tal da culpa é do próprio Dunga?
Mãos atadas.
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Sexta-feira, Junho 18, 2010
Posted
12:50 AM
por MAYRA SIQUEIRA
Um tal de “clima de Copa”. Já ouviu falar?
Tenho o péssimo hábito de brincar de “tô animada com isso aqui” para “cansei, estou sem tempo, estou sem assunto”.
Pronto, blog às moscas.
Se eu acho que não terei muito a acrescentar a todos os gato-mestres e muitos comentaristas sobre a Copa do Mundo, e não consigo imaginar o quanto os torcedores se interessariam pelo assunto do futebol nacional quando até involuntariamente minha boa velhinha progenitora respira o Mundial, creio que posso pensar em dissertar sobre um tópico menos prático neste espaço.
Sabe aquela coisa que faz, sem querer, seu estômago dar uma revirada (não, nobre leitor, não por causa de qualquer alimento que tenhas vindo a ingerir)? Um friozinho na barriga, aquela borboltinha ansiosa, aquela unha que insiste em se dirigir à sua boca, doidinha para ser roída, quase que contra a sua vontade racional?
Para alguns, o futebol provoca isso.
Minto, talvez tenha generalizado demais. Para os muitos que sentem isso com futebol, a existência dessa sensação é fatalmente constatada durante um evento esportivo específico: a Copa do Mundo.
E não ouvimos desde sempre que o que é bom tem que vir aos pouquinhos, para não enjoarmos? Nada mais óbvio do que realizar o maior evento do futebol mundial apenas de quatro em quatro anos. É o que move os jogadores a sonharem em se destacarem em seus times, para receberem suas convocações, e defenderem seus países (se não o de nascimento, o de coração)...
Já tivemos, com o fim da primeira rodada, choros sinceros durante a execução do hino em campo... (eu confesso, em minha fragilidade emocional, que teria sido uma a liberar desenfreadas lágrimas diante da mesma situação).
Já tivemos tmabém todos os clichês universais que adoramos repetir. Zebras e zebras, surpresas, jogos chatos, todos repetindo “isso nem parece jogo de Copa” (ignorando tanto o fato de ser uma primeira rodada, a tal da bola – sim, faz diferença, sabem? – e outros fatores mil que nem tenho vontade de escrever, para evitar a polêmica que não é o objetivo do post), duas goleadas, “amarelada” da Espanha, e outros e mais outros repetidos temas.
Confesso não entender por que se reclamar tanto e achar tantos defeitinhos numa Copa do Mundo, se é pelo que todos tanto esperam e onde todos esses gostariam de estar...
Mas, que fique de lado o corneteiro (vuvuzeleiro?).
Tem gente que não sente isso. Tem gente que perde isso – com o passar dos anos, com a profissão, com o cansaço... -, tem gente que não faz questão de se envolver. Mas eu sempre tive guardadinho lá no fundo um tal de “clima de Copa”.
Às vezes ele aparece cedo, às vezes demora a se manifestar. Nessa Copa, só o reencontrei na véspera. E ele veio tímido. Na miúda, quase que mineirinho.
Até agora não se manifestou “com tudo”. Nem sei se virá com a mesma força de antes. De 98, quando acompanhava cada jogo deitada no sofá, comendo pipoca e sofrendo do coração, vestindo a canarinha. Ou como em 2002, aquela seleção desacreditada, na qual eu, na minha inocência juvenil, sempre acreditei. E pela qual madruguei... Em 2006, quando, na minha cabeça adolescente e não menos juvenil, não conseguia conceber que o Brasil, o único penta mundial, não venceria. Ou, no mínimo, não chegaria à final. Fatalidades...
A sensação de comer a tal pipoca e ver os jogos ao lado dos genitores e irmãos é a sensação da Copa para esta escrivã. Isso não pude ter em 2010, e talvez não venha a ter no futuro. Meu clima de Copa hoje, é outro.
E isso não mudou em absolutamente nada a magnitude do tal do evento esportivo que domina, colore e diverte o mundo por um mês inteiro...
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Domingo, Maio 23, 2010
Posted
10:41 PM
por MAYRA SIQUEIRA
Palavras cruzadas e mil idiomas diversos em um só Palmeiras
Foi uma semana conturbada.
Não estivesse eu imprimindo um tom 100% pessoal neste comentário, eu poderia facilmente dizer que conturbados são os últimos meses de 2009 e todos até agora de 2010 para o Palmeiras.
Com a permissão concedida virtualmente pelos leitores, este será um texto que misturará as impressões totalmente subjetivas desta escrivã com alguns fatos bastante práticos, reais, e de interesses gerais.
O assunto está até desgastado, e muito me cansa repetir o que creio que todos já falaram sobre um assunto. Mas como ajudei a cobrir pequena parcela desta crise, me sinto na obrigação de deixar meu pitaco.
O demitido Antônio Carlos Zago
O Palmeiras está em uma situação que ninguém parece saber explicar, e todos atiram para todos os lados nas acusações. Zago jura de pé junto que o time é unido e que não teve problemas com jogadores. Mas o treinador, tímido e que não mostra ter pulso firme algum pessoalmente, fez questão de arrumar briga com seus atletas por um atraso que levou à polêmica e à sua precoce demissão.
Num dia em que fui vítima de algum gatuno espertalhão, e o percebi levar minha carteira e seu estimável conteúdo, me vi na obrigação de estar na redação, a postos, para conversar com o recém-demitido técnico alviverde, doido para colocar a boca no trombone, após presença em dois programas televisivos. A minha cabeça não estava em Palmeiras. Nem a dele.
Com ar sereno, me disse que ia dar uma “parada” para “descansar” e depois procurar emprego – como técnico, palavra bem frisada por ele – após a Copa. Depois, claro, de celebrar seu aniversário tardiamente e amargamente com amigos do interior.
Apesar do sentimento calmo após a dispensa do clube, Antônio Carlos não dispensou todas as possíveis alfinetadas ao clube que o mandou embora. Com todos os “dedos” possíveis, lançou suas cutucadas e críticas, sempre seguidas por um “juro não ter problemas com ninguém”.
Mas não poupou o veneno.
E nem Zago, nem jogadores nem diretoria sabem explicar o que acontece com o clube (vale frisar que ele é o quarto a ser demitido na gestão Belluzzo). Versões daqui e ali, mas uma série tenebrosa de resultados, um goleiro e jogador ídolo e símbolo do time que joga a toalha num sincero momento de desabafo, afirmando que vai logo abandonar essa vida “sofrida” e cansativa.
E, no meio do bagaço alviverde, um treinador do time B que assume e consegue sugar um placar de 4 a 2 na despedida do Palmeiras de sua casa, o Palestra Itália.
Que não há lá muita razão no futebol todo mundo está mais do que careca, exusto e exaurido de saber.
Mas não vai ser um placar positivo que vai sustentar um grande time em verdadeira crise. E as estimadas especulações de volta do “Mago” Valdívia e do louvado Felipão ajudam a alimentar um torcedor já cansado e empanturrado de amendoim.
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Quarta-feira, Maio 19, 2010
Posted
9:15 PM
por MAYRA SIQUEIRA
Uma estrela nada solitária
Mais uma entrevista gostosa de fazer. Bate-papo saudável, um cara que está mais do que calejado para responder perguntas... e um passado invejável.
Sérgio Manoel não acumulou prêmios, medalhas, títulos. Teve apenas três troféus conquistados de maior destaque: o Campeonato Brasileiro de 1995, a Taça Rio-São Paulo (ambos pelo Botafogo) e um Campeonato Catarinense.
Mas é ídolo. É o cara das assistências incríveis, para que, ao seu lado, Túlio se consagrasse. Com uma estrela única tomando conta de seu coração, o meia, hoje com 38 anos e no Botafogo-DF, pensa em projetos pelo seu Alvinegro, exalta sua família “guerreira”, relembra com carinho seu passado e... sonha em voltar, um dia, para o Glorioso.
(Sérgio Manoel, outra vez ao lado de Túlio no Botafogo-DF)
A entrevista foi parte da coluna “ACHEI!”, do globoesporte.com , e você pode conferir a matéria original aqui .
Abaixo, a íntegra.
Como é jogar pelo Botafogo-DF, homônimo do seu time do coração, e ainda ao lado do Túlio?
- Foi muito legal a gente poder voltar a jogar junto com a camisa do Botafogo. A gente amadureceu muito do Botafogo campeão de 95 ate hoje. Me olho no espelho e vejo o cabelo falhando, cabelos brancos e até comentei com ele que, se a gente tivesse a experiência de hoje naquele Botafogo, seríamos imbatíveis. Para você ver como nosso time era bom, e eu falo isso para os meus filhos. Desde aquele Brasileiro que o time não ganhava do São Paulo no Morumbi, e quebrou esse tabu de 15 anos só agora (no último domingo, dia 16). O projeto inicial aqui no Distrito Federal era para revelar jogadores e divulgar ainda mais a marca do Botafogo. Foi bom porque terminamos o estadual em terceiro, mas queríamos terminar pelo menos em segundo e ter a chance de disputar a Série B e a Copa do Brasil, que seria o pulo do gato. Agora é achar linha de trabalho, achar o erro e bater de frente com o Ceilândia, que foi campeão, e o Brasiliense, que é sempre uma potência aqui.
Você, aos 38 anos, tem contrato até o final de 2010. Ter ficado perto dos seus objetivos te dá ânimo para continuar, ou pretende parar ao término do acordo?
Já sinto que a carreira ta no finalzinho, estou fazendo avaliação. Mas como chegamos perto, a intenção é buscar essa vaga, de repente chegar à Série B e Copa do Brasil.
Como está sua condição física? Você já sente o peso da idade, como dores e dificuldade de recuperação?
- Com relação ao físico, eu passei por uma artroscopia no começo do ano passado, no joelho. Foi mínima, de menisco. A recuperação foi muito boa, acho até que meu joelho operado é melhor do que o outro. Mas a recuperação pós-jogo eu sinto muito mais. Hoje levo dois dias para recuperação, antes podia jogar direto, sexta, sábado e domingo. E o futebol hoje abriu mão da técnica apurada e partiu 90% para o físico. Nossa mentalidade sempre foi de por a bola pra jogar, mas o futebol está muito corrido. Já não é mais o futebol que eu gosto de
jogar. Mas já me preparo para parar, porque todos me falam como é difícil quando chega a hora.
Você sempre se destacou pela bola parada. Tem ideia do número de gols que já fez assim? Ainda mantém essa característica?
Batedor de pênalti, falta, escanteio sou eu. Quero ser lembrado por isso, que as pessoas digam: “pô, esse cara tem bola parada muito boa”. Sempre me espelhei no Zico. Neto, Marcelinho também, na minha geração. Sempre procurei trocar idéia com esses caras. Não faço ideia de quantos gols marquei de bola parada, mas gostaria de ter esse número. Dei também já muitas assistências.
O Túlio até comentou que você tinha um DVD com lances seus de gols com bolas paradas e assistências, e que muitas vezes quiseram contratá-lo pelos gols que ele fazia com bolas que você lançava para ele.
- Quando eu estava no América, em 2003, fiz um Campeonato Carioca muito bom, mandei imagens para o futebol árabe e o pessoal gostou. Mas eles me falaram “queria levar os dois, você e esse número 7, que faz gol toda hora”.
O Botafogo foi campeão carioca, dos dois turnos, e ainda estreou bem no Brasileiro, com empate sobre o Santos, campeão paulista, e ainda quebrou o tabu contra o São Paulo vencendo de virada na segunda rodada. Depois do jogo de domingo, o Joel Santana declarou que o time ainda precisa de três ou quatro reforços para estar entre os quatro primeiros do Brasil. Como você vê isso?
- Eu tenho muita confiança no que o Joel diz. Já trabalhei com ele, ele é sincero e não é de fazer media. Ele deve saber dessas carências do grupo, que tem que ser maior e mais forte do que foi no Carioca. E mais forte porque é longo, você perde jogadores por lesão e cartões,
etc. O time começou bem, mas não pode estar satisfeito por isso, tem que sempre querer mais. Eu sei como é vestir a camisa do Botafogo, e lá você não tem tempo de curtir vitória. E ele está vendo assim.
Quais foram os momentos mais marcantes da sua carreira?
O ano de 95 como um todo é especial. Porque nasceu meu primeiro filho, o Matheus, que hoje tem 15 anos. Depois, no meio do ano, tive a primeira convocação para a seleção. E, no dia 17 de dezembro, fui campeão brasileiro. Consegui também naquele ano realizar um sonho,que é o futebol japonês. O jogo que mais me marcou, por incrível que pareça, não foi o da decisão. Foi um 2 a 0 em cima do Flamengo, no Maracanã, se não me engano no ano de 99. O Botafogo vinha mal e o Flamengo muito bem. Naquela semana a imprensa deixou o Bota por baixo, e eu quis dar uma resposta aos torcedores. Eu dei assistência para o primeiro gol e fiz o outro de falta, como o Zico fazia. Naquele dia, metade do Maracanã era a torcida do Flamengo, e estava cheia. A nossa, vazia. Mas foi bom o sentimento de devolver aos botafoguenses o que eles mereciam. Outra coisa marcante foi minha estreia como profissional no Santos, com a camisa 10 de Pelé, em 89. Na primeira convocação também, com o buchicho de que eu seria convocado e, então, no anúncio.
Como foi sua experiência na Argentina?
Eu era muito racista com os argentinos. Mas acabou sendo uma experiência de vida fantástica para mim e para minha família. Eu sempre tive confusão com eles em campo. Mas, quando fui morar lá, foram seis meses inesquecíveis. Apesar de que essa imagem para mim já começou a mudar com o Sorín no Cruzeiro. Ele é um cara fantástico, foi meu companheiro de quarto. E ele me mostrou esse outro lado. Eu queria que nós fôssemos aguerridos como eles são com as coisas do país. Se fôssemos assim, faríamos valer nossos direitos.
Você já comentou algumas vezes que foi um sonho ir para o Japão. De onde surgiu esse “sonho”, indo na contra-mão do que normalmente os jogadores esperam de sua carreira, que é ir para a Europa, por exemplo?
- Em 95 surgiu a oportunidade também de França, Espanha, que eram boas propostas pelo lado financeiro. Mas minha primeira viagem para fora do país foi para o Japão, em 89. Me marcou muito a cultura deles, a diferença pra nossa. Quando voltei, eu pensei “quero jogar no Japão”, é tudo legal, diferente. Preferia ganhar menos e jogar no Japão e realizar um sonho. E minha família adorou. O futebol lá é muita correria, muito rápido. Em tudo ele que começam eles vão até o final, buscando o melhor. Um menino me perguntou como eu batia na bola, pois ele queria bater igual. Num dia de frio, de surpresa, encontrei ele buscando ficar igual a mim. Um mês depois ele estava batendo igualzinho, com o mesmo efeito.
Você já comentou que chegou a trabalhar “de graça”. Como foi?
- Foi na minha passagem pelo América. Eu gastava todo o salário, que era baixo mesmo, em combustível. Porque morava na Barra da Tijuca, muito longe do local de treino, e acabava ficando sem o dinheiro. Mas eu não reclamo, eu tenho orgulho dessa época. Eu estava com um
problema no tornozelo, pessoal falava que eu estava velho, “bichado”. Cheguei a largar o futebol no final de 2002 para 2003, sem avisar ninguém. Fiquei tão chateado que não queria mais. Mas aí um amigo me falou um dia, em uma churrascaria: “Você ainda tem muita lenha para queimar. Se quer parar, joga como você tem condição, encerre com dignidade. Você não é perdedor”. E falou do América, onde fui parar. Fiz um bom Carioca e recebi depois o convite para ir para a Portuguesa. Voltei a pegar gosto.
Você é de Santos, mas é botafoguense. A paixão veio de casa ou veio depois de ter atuado no time?
Já vem de casa. Os mais antigos sabem disso, que na época muitos contestavam que melhor que o Pelé era o Garrincha. Para os meus avós, é o Garrincha. E eu achava a camisa do Botafogo linda, com aquela estrela única. Quando vim e fui tratado como fui, não tive outra opção a não ser virar botafoguense. Nunca tive situação de sair do estádio e torcida querer me bater. Ela me cobrava, mas nunca fui agredido. E tantos anos depois, têm ainda o mesmo respeito, consideração, fazem homenagens... Não tem jeito, plantei lá uma semente que colho até hoje.
Fora o Fluminense, que você defendeu antes de vestir a camisa do Botafogo, você nunca atuou em nenhum dos outros “rivais” cariocas. Você chegou a rejeitar alguma proposta de algum deles pelo seu amor ao Alvinegro?
Sim. Aconteceu isso, no Flamengo. Eu tive um contrato em mãos deles para assinar. Enquanto eu analisava a proposta. Era o começo de 1998. Eu estava no Grêmio. A proposta era muito boa, não tinha nem o que pensar. Mas minha esposa e família diziam: “Vale a pena por em risco a relação com o Botafogo pelo dinheiro”. E como profissional, às vezes
você olha só a proposta. Mas meu coração pedia para eu não ir. Em seguida voltei, fui campeão do Rio-São Paulo, o que só estreitou os laços. Sei que um dia estarei trabalhando lá. Não tem jeito, isso eu não comprei, conquistei com suor. Já teve uma diretoria que me abriu essas portas. Eu ainda volto.
Dos seus sonhos para sua carreira, teve algum que não realizou?
Só sou frustrado de não ter jogado no São Paulo. Se no auge me perguntasse se eu sairia do Botafogo para jogar em algum time, seria apenas esse. E depois voltaria. Eu não queria joga no Milan, Real Madrid, nada disso.
Como é ser “andarilho”, ter mudado tanto de cidade e até país, com
três filhos e esposa?
A minha esposa é guerreira nesse sentido, nota 10 com louvor. Meus filhos também me impressionam pela sua capacidade de adaptação, também são guerreirinhos, nunca reclamaram.
Qual seu pitaco sobre a Seleção de Dunga para a Copa da África do Sul?
Tem tudo para ser campeã. O Dunga foi coerente, eu não poderia negar isso. Mas, como a maioria, eu esperava Ganso e Neymar. Mais pelo Ganso, que é maduro, mais a cara da seleção. Mas não contesto a convocação. Acho que a principal surpresa foi o Grafite. Mas é um cara
de área, faz a mesma função do Adriano. Eu torço para que eles esteja certo e a gente leve mais um título.
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Domingo, Maio 09, 2010
Posted
11:15 PM
por MAYRA SIQUEIRA
Londres Azul
Foi mais uma vez por merecer.
Avassalador e consistente de início, “trupicando” em sequência, dividindo forças com a grande Champions League... mas com fim de temporada bastante digno.
O Chelsea foi o vencedor da English Premier League na temporada 2009/2010, desbancou um sedento pelo tetra Manchester United, um choroso Arsenal e sem a menor sombra de temor pelo Liverpool, da mais pavorosa temporada que qualquer um que sempre se negou a andar sozinho poderia crer.
O domínio foi conquistado no início, e foi mantido pelo time de Carlo Ancelotti. O italiano recebeu o crédito necessário, voltou a ter seu goleiro dando confiança, a zaga comandada por Terry segura o suficiente e o apoio dos velozes laterais, Ivanovic e Cole. Lampard (do meu abandonado Fantasy da Uefa!) no meio, e, claro, um ataque avassalador. Monstro Drogba, o marfinense que não perdoa...
Eu resumiria numa palavra: solidez. Foi isso que os Blues apresentaram, na campanha em que encerraram com mais de 100 gols marcados. E foi com esse brilho e com a sua maior goleada da edição da Premier League que o time de Roman Abramovich encerrou a temporada.
8 a 0. Um sacolada no pobre e modesto Wigan, em Stamford Bridge, para fazer-se azul a festa da quarta taça nacional do clube londrino.
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8:00 PM
por MAYRA SIQUEIRA
É octa. O maior do Brasil
Ôôôôôôô.....
Curupira guaribá, sararaca itapeuá, tico-tico guariboso
É força, é raça, é união!
Pinheiros, Pinheiros, Pinheiros natação!
Re-fru, re-fru-fru, zimbauaba zimbaú, marumbira marumbá
Nós viemos pra ganhar!
É força, é raça, é um tesão! Pinheiros, Pinheiros, Pinheiros Campeão!
Ôôôô... PINHEIROS!
(Grito de guerra do Pinheiros. Já tão antigo que sua data de criação é quase desconhecida...)
(Foto: Sátiro Sodré, CBDA)
Foi por muito pouco, mas o Pinheiros tornou-se o maior dos campeões da história do Troféu Maria Lenk (Troféu Brasil até 2006) com 13 títulos, e ainda por oito vezes seguidas, igualando o feito do Flamengo da década de 80 (que tem 12 taças).
O Minas Tênis Clube liderou quatro etapas, a maior parte da competição, mas o clube de São Paulo voltou a reinar na manhã de domingo, no último dia. Vencendo os estratégicos últimos revezamentos, 4x100m medley feminino e masculino, o Pinheiros somou 2494,17 pontos, contra 2192,50 do rival de Minas.
Foi a 50ª edição do Campeonato Brasileiro Absoluto de Inverno. O Unisanta foi o terceiro colocado, com o Corinthians logo atrás. O “Flamengo de Cielo” foi o quinto, já uma grande comemoração para os planos aquáticos de Patrícia Amorim, mas com pontuação bem abaixo dos adversários...
Deu para notar algumas coisas nesta edição, realizada na patética e amadora piscina do Santa Cecília: o Flamengo só vai voltar ao cenário da natação quando os investimentos vingarem. Ou seja, Cielo & cia trouxerem mais que medalhas e pontos, mas dinheiro, investimento e incentivo de que novos atletas se interessem pelo esporte, e no próprio rubro-negro. Sem formar base, não vai ser comprando gente já de alto níve que o Flamengo brigará. Pinheiros fez muito isso, mas ainda forma muita gente, acerta com atletas bem novos (Cielo mesmo foi para lá com 16, assim como outros tantos, como Guilherme Guido, Gabriella Silva, Felipe Lima...) visando o futuro.
E o Pinheiros? Bem, continua o bom e velho clube em que tive o prazer de conquistar o tri e o tetra, e que mantém o mesmo espírito e uma aposta de fidelidade louvável com o técnico Albertinho, que lá fez sua carreira e de onde dificilmente sairá. Uma equipe excelente e um bom apoio aos atletas. Estrutura muito boa. Ainda à frente dos rivais... não é à toa.
Para que mais vale o campeonato?
O Maria Lenk foi seletiva para o Campeonato Pan-Pacific, em Irvine-EUA, de 18 a 23 de agosto, e o inédito Torneio das Quatro Nações de Natação, que reunirá nadadores da Austrália, Brasil, Canadá e França, em Victoria, no Canadá, nos dias 5 e 6 de agosto (informação da CBDA).
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Sábado, Maio 08, 2010
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1:29 AM
por MAYRA SIQUEIRA
Natação sem maiôs e a “mesmice” brasileira
Eu adoraria poder me gabar de ter dito de boca cheia que o fim dos maiôs “mágicos” não iria causar tanta diferença na natação. Talvez fosse apenas aquela voz lá no fundo, querendo crer que o talento é o que mais importa, que o trabalho e a dedicação sempre fariam a grande diferença.
Uma utopia um tanto quanto inocente e ingênua.
O Troféu Maria Lenk (que está rolando nesta semana, em Santos), ao menos até aqui, me provou duas coisas:
1) Sim, os maiôs tecnológicos estão fazendo muita falta;
2) Os brasileiros continuam empacados nos mesmos resultados e variando pouco as “surpresas” nas provas: mantemos os mesmos de sempre.
Isso não é bom... há pouca competitividade. Até Gabriella Silva e Daynara surgirem no borboleta, por anos o melhor tempo na prova dos 100m no estilo variava entre 1’02” e 1’03”, num esporádico comemorado 1’01”.
Formamos muito poucos nomes de peso na natação.
Fabíola Molina ainda é a “rainha” dos 50m costas. Mas ela tem 34 anos. E quando cansar de vez e parar? Não temos ainda substituta à altura no estilo. No nado de peito, as meninas que apresentaram significativa melhora poucos anos atrás continuam se revezando no topo em campeonatos nacionais, mas sem mais surpreender.
(Joanna comemora vitória nos 400m livre)
Mas, para o lado positivo: Joanna Maranhão está realmente mandando bem. Parece animada e entusiasmada com sua vida no Minas TC, tem feito excelentes tempos. Ânimo a mais.
Falando do Minas, aliás, muito me alegra ver que o clube lidera o Maria Lenk com relativa folga, quebrando a hegemonia de um Pinheiros ainda muito forte.
E o Flamengo das grandes contratações ainda apenas esboça para que veio: se mantém na quinta posição, apenas brigando para construir seu retorno a longo prazo à elite nacional da natação.
* Resultados e notícias sobre o Maria Lenk no site da CBDA
** Me sinto na obrigação de recomendar o Blog do Coach, agora no globoesporte.com. Sempre vale a pena!
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Quinta-feira, Maio 06, 2010
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11:20 PM
por MAYRA SIQUEIRA
Pelo direito de sofrer
(Menos catastrófico do que o título quer fazer crer...)
Eu sofro por futebol.
Eu sinto, eu me emociono, respiro um jogo. Arrepio até a nuca no caminho para o estádio em dia de decisão. Estufo o peito para cantar o hino, fico rouca por me esforçar para entoar cada grito da torcida.
E choro em eliminação.
(Foto: Reuters)
Confesso que não entendo aqueles que condenam o sofrimento alheio.
- Você vai ficar mal por causa deste time?
- Olha a grana que esses caras ganham, eles não tão nem aí para você!
- É só futebol.
E ai eu ME pergunto: precisa ser mais que futebol para quem é apaixonado?
E tantos dos que entoam o discurso “anti-sofrimento” pelo futebol não são aqueles que, anteontem, se ajoelharam e agradeceram aos céus, respirando com alívio, ao ver o goleiro ídolo defender dois pênaltis após perder sua própria cobrança?
E os que tanto se orgulham de bater no peito e afirmar que já passaram da idade de ficar mal por causa de derrotas...
(Foto: Agência Estado)
Onde está o erro em sentir pelo seu clube? É melhor, é pior?
Cada um deve saber o que é melhor para si. Os que sofrem mais em um revés, no geral, são os que mais comemoram as suas conquistas. Os que ganham aquela alegria explosiva dentro do peito, totalmente inexplicável apenas em palavras, onde até os gestos mal dão conta de representar.
Eu sou grande defensora da liberdade do sofrimento. Cada um sabe o peso da sua dor (mede-se em quilos?), ou seu tamanho (tem comprimento?) ou profundidade (em metros cúbicos?).
(Foto: Adilson Barros, globoesporte.com)
Há sujeira no futebol? Claro. É errado, então, torcer? Claro que não.
Enquanto alguns gabam-se de sua indiferença, eu prego que deixem em paz aqueles que se importam em derramar lágrimas. Isso não faz mal algum e não muda o que cada um sente pelo seu clube. É apenas uma maneira de demonstrar.
Não, o mundo não acabou. Sim, a vida continua. Sim, outras competições virão. E, não, o ano não acabou.
E nada disso, de maneira alguma, me impede de sentir.
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Terça-feira, Maio 04, 2010
Posted
1:03 AM
por MAYRA SIQUEIRA
Palmeiras pra que te quero
Um momento de tensão, um jogo difícil e decisivo, e o jogador sai de campo vaiado. Não vaiado por toda sua própria torcida, mas por parte dela. A parte problemática. A parte crítica e que irrita. A tal da “turma do amendoim”. No calor, no nervoso, naqueles fatídicos segundos, o ser humano que fez em campo o que qualquer outro ser não menos humano fez na rua, quando seu carro foi atravessado por outro desatento, ou por aquela “madame no celular”, foi julgado por todos. E será ainda julgado oficialmente nesta sexta-feira.
Diego Souza, em um ato de explosão, respondeu às vaias da torcida palmeirense com gestos obscenos na partida contra o Atlético-GO, pelas quartas de final da Copa do Brasil, e agora o time e ele vão pagar por isso. Respondeu à torcida, mas até agora não se explicou sobre isso. Se recusou a conceder entrevista no dia seguinte e até agora preferiu manter o silêncio, e aumentar a pressão da imprensa nele.
Não só o meio-campista alviverde pode desfalcar seu time por até seis (seis!!) partidas, como teve a má sorte de sentir uma fisgada na coxa direita nos treinos desta segunda-feira e não joga em Goiânia a decisão por uma vaga nas semifinais. Talvez perca a estreia do Brasileirão, neste sábado, contra o Vitória.
Os palmeirenses, mais do que eliminados do Paulista deste ano, se entregaram de modo desengonçado, mas verdadeiro, ao que lhes restava para coroar uma temporada de início trôpego: a Copa do Brasil. Foi cuspe de um lado, gestos que receberiam tarjinha preta no programa de televisão do outro, jogo feio e muito desespero.
Salários atrasados, acusados quase que inocentemente pelo meia Lincoln, que se embananou ao tentar explicar que “devem, mas não é bem assim, não é tanto, não causem polêmica por favor!”.
Depois de esperar duas horas precisas sentada no chão da calçada da entrada do CT do Palmeiras, uma vez que não avisaram a maior parte da imprensa a mudança nos planos e treino fechado (três dias de “mistério”, Zago? Pra quê? Que monstro estás a criar dentro da Academia?), este foi o saldo do meu dia de Palmeiras.
Deixo aos alviverdes as opiniões sobre a fase de seu time...
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Segunda-feira, Maio 03, 2010
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2:09 AM
por MAYRA SIQUEIRA
Obrigada, Ramalhão
Xarás Rodrigão e Rodriguinho "brincam": clima positivo perceptível e envolvente
Bastaram duas semanas.
Meu lado moloide resolveu prevalecer e fez esta jovem aspirante a qualquer coisa que o valha na vida se deixar levar pela empolgação de um time bem motivado.
Foram apenas cinco dias num total. Uma semana em dias úteis em sua soma em que acompanhei o pequeno e empresarial clube do Santo André.
Gil e Cicinho, na academia
Talvez seja culpa do estrogênio, mas eu valorizo em demasia o lado humano do futebol. Sabe aquelas pequenas historinhas? Sabe aquela fúria ensandecida do jogador que se sente injustiçado em uma expulsão? Sabe aquele atleta que não conseguiu ceder ao seu time uma só gotinha do seu suor em determinado dia porque sua filha estava hospitalizada?
Eu gosto disso. Eu gosto do roupeiro que conta as vaidades de cada um dos jogadores, com quem se incomoda o suficiente para lustrar aquela chuteira branca da maneira solicitada (“Para ser entregue como um coco na praia”, disse-me, nestas precisas palavras), ou o amor que brilha nos olhos do preparador físico por cada um daqueles jovens e nem tão jovens futeboleiros. O olhar maroto do segurança que, em troca de um breve sorriso, se derrete em falar que optou pelo Ramalhão e não ao Santos por não querer trocar o time onde tem vínculos por outro apenas pelo salário.
O roupeiro Eliezer, que me abriu os vestiários do Ramalhão
E venho aqui adimitir o quanto fiquei satisfeita em chegar ao centro de treinamento e ouvir do cara do Gatorade até o assessor de imprensa e os jogadores o reconhecimento: “onde você estava? Largou a gente na reta final do campeonato?”.
O atencioso e gentil preparador físico, Stélio
O Santo André, por três semanas – duas com intensidade – foi o clube que eu “cobri”. O clube do qual fui “setorista” temporária.
No Ramalhão eu arranquei histórias, eu fiz amigos, contatos. Eu ouvi o roupeiro agradecer à matéria e elogiá-la. Ouvi feedback de cada um dos personagens. Eu me envolvi de corpo e alma.
Jogadores tomam Gatorade no meio do treino
E torci. Porque queria ver o brilho sincero que reconheci nos olhos de alguns andreenses na conquista de um troféu inédito. E saber o tamanho da vibração que cada um – que posso contar na mão - ia transmitir.
Não deu, Ramalhão.
Mas foram três semanas pelas quais agradeço. Pela minha formação como jornalista e como pessoa.
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1:26 AM
por MAYRA SIQUEIRA
E, no fim do plantão, nada de luz.
As costas doem.
Foram horas de trabalho sentada em frente a um computador – meu tão amado companheiro diário – atualizando home, escrevendo crônica, ouvindo um jogo e vendo outro.
Final de campeonato.
Um Fortaleza tetracampeão sobre o arquirrival Ceará, dono de oito taças em uma só década. No mesmo horário em que o Santo André calava os críticos e matava do coração ao menos uns cinco santistas.
Festa, farra, torcida a favor, contra, reconhecimento, um craque se consolidando – pelo menos como aquele do futebol a ser lembrado aos seus 20 anos, ou aquele que realmente merece o “Dunga, leva ele!”.
Em meio a tudo isso – à paixão pelo esporte, a torcida que mexe com todos os ânimos e faz o vocabulário “decair” ao pior nível possível e o volume de voz tornar-se dificilmente controlável -, eis que chega o descanso. Mas a mente volta a matutar.
O Santos é campeão paulista de 2010.
O Atlético-MG, 40 vezes o melhor mineiro.
O Atlético-GO, bem-vindo à primeira divisão do Brasileiro!, o que recebeu o troféu em Goiás.
O Vitória igualando o recorde do Fortaleza mesmo com derrota na Bahia.
O Avaí “de Guga” mais uma vez alegrando Floripa.
O Grêmio alfinetando outra vez o Inter em fase, eu diria, “esquisita”.
Meu dia poderia parar por aí.
Mas minha cabeça está na Copa. No TCC. O tão temido e odiado “trabalho de conclusão de curso”.
Na cabeça, ele está perfeitamente montado, faltando só a Copa rolar. Mas então... cadê aquele texto fácil do qual sempre se orgulhou de ter, dona Mayra?
Empaquei.
Por que elaborar algo tornou-se tão difícil?
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Sábado, Maio 02, 2009
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2:49 PM
por MAYRA SIQUEIRA
“Nadadores fazendo 20s”9 nos 50 metros livre é algo rídiculo”
Sim. Estou com Jason Lezak.
“Nadadores fazendo 20”9 nos 50m livre é algo absolutamente ridículo. O recorde de (Alexander) Popov, de 21”64, durou oito anos e, agora, alguém nada sete décimos mais rápido. Deve haver uma evolução no esporte, mas não de forma tão rápida”, disse o nadador americano.
Afinal, até que ponto os maiôs mudam o quadro da natação?
Até que ponto isso é influência do desenvolvimento de técnicas no esporte, ou é mérito do desenvolvimento da tecnologia nas roupas?
Porque, apesar de o Brasil ainda estra bem atrasado com relação aos países destaques na natação mundial, novas aparelhagens e estudos diversos vêm sendo feitos e adquiridos, para a maior excelência possível na estruturação de um clube para seus atletas.
Coisas que os norte-americanos já possuem há anos vêm apenas sendo introduzidos no Brasil, como o uso frequente de câmeras e filmagens do nado, e sua análise biomecânica posterior. Material que apenas os atletas de ponta do Pinherios, por exemplo, têm acesso. Enquanto os medianos... bem, os medianos têm que se contentar em se destacar por puro talento, já que as chances de corrigir cada pequenino detalhe não sobrou mesmo...
Mas é isso que mata a natação mundial hoje.
Ok, são outros tempos, não dá pra comparar com a época de Mark Spitz.
Mas, confesso que até acho sem graça ver vários nadadores chegarem onde chegam, por resolver cada detalhezinho na pequenez de micro influências, ao invés de realmente serem Michael Phelps da vida, que, digam o que quiserem, fume a maconha que for, está com oito ouros em uma só edição olímpica por puro talento nato, e não porque usou o melhor maiô. Ele não bate recordes por centésimos suados pelo pêlo do dedão do pé que raspou na véspera, ele bate recordes mundiais a cada campeonato por segundos de diferença, e ganha com corpos e corpos de vantagem, porque é um talento, com ou sem as firulas possíveis.
Alain Bernard é novo dono do recorde dos 100m livre, mas a roupa da Arena ainda causa polêmica...
E não o defendo aqui, eu nem gosto dele. Acho-o arrogante, metido, e com uma postura que não acho digna de uma figura do esporte mundial. Mas ele é bom. E definitivamente não dá pra negar, ou atribuir sua capacidade apenas às novas tecologias.
Foi-se o tempo de recordes históricos, que duram 8, 12 anos... hoje, de uma edição para outra, os mesmo utilizadores das mesmas técnicas despontam, cada um de uma vez.
Um feito inédito: dois homens nadaram para baixo de marcas assustadoras. Anos atrás, Gustavo Borges ganhava o segundo lugar nas Olimpíadas com a marca de 49 segundos. Anos, e anos o recorde mundial permaneceu nessa casa, e, mesmo quando caiu para 48, e depois 47, quantos brasileiros faziam 49”? Quantos no mundo conseguiam essa marca?
Hoje, temos um recorde quase inacreditável... Alain Bernard bate o recorde baixando os 47 segundos, fazendo 46”94, enquanto outro francês, Fréderick Bousquet, assustadoramente baixou dos 21” no 50m livre, estabelecendo nova marca de 20”94.
O australiano Eamon Sullivan, até então reinante nas provas não gostou nadinha de perder o trono por diferença tão contundente... ... "Espero que a Fina tome uma posição sobre os maiôs, porque pelo que ouvi, o material utilizado (pelos nadadores franceses) não foi autorizado pela Federação Internacional”.
Onde estamos indo parar, com recordes mundiais caindo assim, como se fossem marcas simples de serem alteradas? E o Brasil, que se comove quando UM nadador fora de série pega um ouro nas Olimpíadas, vê seu recore Olímpico já como marca mais do que superada, em 30 centésimos, 3 décimos inteiros!! Na prova mais rápida da natação! 1/3 de segundo a menos. Não é pouca coisa, é muita!
Mark Sptiz: outros tempos, outras vestimentas... mas não menos talento
Agora as novas marcas aguardam aprovação dos maiôs. A Fina (Federação Internacional de Natação) está testando cada um deles, especialmente para o principal evento aquático do ano, o grande Mundial de Roma, que acontecerá em julho.
Bernard usou o X-Glide, o novo maiô da Arena, que não tinha sido usado em competição até então, e também será usado por César Cielo no Troféu Maria Lenk, que acontece nesta semana, e é a última chance dos brasileiros alcançarem o índico imposto pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) para o Mundial... vai ser a primeira chance de campeonato oficial de Cielo tentar bater sua própria marca e recuperar o favoritismo na prova mais rápida.
Não sou contra o uso dos maiôs especiais, acho que desenvolver tecnologias para seu benefício no esporte é sempre válido, mas obviamente tira a competitividade, e faz perder toda a graça de ver um nadador excepcional chegar lá porque é realmente bom, não porque nasceu em um país com condições de investir nele dando-lhe a melhor roupa e alimentação possível...
PS: e duas adolescentes russas batendo marcas mundiais? Yuliya Efimova, 17 anos (recém-completos), e Anastasia Zueva, apenas 18. Uma com 30”05 nos 50m peito, e outra com 27”47, nos 50m costas. O que estão dando de comer pra essas jovens das terrinhas geladas?
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